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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Carta 11 - O Chicote e a Vassoura

 
 A carta 11, a carta da magia do baralho cigano, o nosso Lenormand, é, para mim, um arcano fascinante. Entendam bem, rsrsr, todos os 36 também o são, mas acho que o fascínio que tenho pela carta 11 vem do fato de ter observado, nos anos de estudo e pesquisa, que ela muitas vezes tem a sua riqueza pouco explorada. Interessante também, foi notar que, para um grande número de pessoas, apesar de ser carta neutra, ela acaba ganhando uma conotação um tanto negativa, sendo muitas vezes tratada como um alerta para que se tenha cautela, em determinado aspecto, ou com determinada pessoa. Frequentemente fui perguntada, quando essa carta aparecia no jogo, se havia "algum trabalho feito", alguma magia ruim pairando sobre aquela pessoa, o que realmente pode acontecer...mas, por que colocar à frente de uma carta neutra, um aspecto negativo?
Por que isso? Penso que por muitas razões, algumas das quais passo a citar:

- Aquilo que visualmente nos é mostrado: Um chicote, ou um chicote e uma vassoura, ou até uma cena auto flagelo... Parece assustador, não?
- Uma ideia arraigada, em nossas mentes, que nos leva a associar poder à dominação, como se o exercício do poder não pudesse ser uma coisa benéfica.
- O preconceito que se tem contra o ato mágico, que amedronta e faz pensar em malefícios, "trabalhos feitos", dominação e interferência na vida de terceiros... Coisas que, de fato,  são aspectos negativos do uso da magia ou poder, mas que estão longe de serem os únicos, ou os mais importantes.
- A associação de vassoura com bruxaria e bruxaria com perigo e maldade. É impressionante que, ainda hoje, em 2012, os bruxos ainda sejam vistos como pessoas que atuam pelas vias do mal. É claro que há bruxos, magos, que são perigosos e exercem sua arte sem qualquer ética! Mas o mesmo se pode dizer da pessoa que acende uma vela, aos pés de um santo, pedindo que alguém se apaixone por ela... isso como exemplo. Não importa, aqui, a sofisticação do ato, mas o ato em si.
Interessante também é notar que, a primeira, e mais importante, função da vassoura seja quase sempre esquecida, ao se lidar com essa carta. A vassoura varre! A vassoura limpa, a vassoura espanta os insetos indesejáveis... A vassoura protege!
- E talvez, a razão principal: Nossa resistência em aceitar nossa responsabilidade dentro de determinadas situações, ou em perceber que momentos difíceis (assim como os alegres) são próprios da vida e que, embora tenhamos liberdade de escolha, não temos domínio sobre todas as forças que interagem, ou sobre a escolha dos outros. Essa é uma realidade difícil de se aceitar! Então, em vez de percebermos a magia, como um meio de interagirmos com "o mundo" a nosso favor, ou a favor de terceiros, preferimos pensar que aquele fato doloroso aconteceu porque outrem usou magia contra nós, e não porque tivemos algum grau de participação, ou de omissão, durante o desenrolar dos acontecimentos. Mais assustador, ainda, é quando o fato nos chega sem qualquer participação nossa... Essa impotência diante de algumas coisas é terrível para a maioria de nós. Melhor pensar que "foi coisa mandada", do que aceitar que nossa humanidade não vem com o dom da onipotência. Ou seja, a mão que usou a "foice" que cortou, ou o veneno que contaminou algo, não foi a nossa, mas de alguém que nos quer mal.

Muitos acreditam no conceito de Carma, ou Karma, que implica na crença em reencarnações. Para os que creem, a aceitação de fatos dolorosos, ou trágicos, é mais tranquila, embora nem sempre menos dolorosa... Nosso Lenormand fala sobre karma em diversas situações. Cabe a nós, e ao consulente, aceitarmos, ou não, essa interpretação, ou preferir ver  "aquilo" que se diz sobre Karma, como uma consequência de ações realizadas nessa vida, e não em outras.
Nada disso, no entanto, muda o fato de que muitas vezes preferimos entender que a magia, o poder, foi usado contra nós, em vez de ver na carta 11, um convite enfático para que usemos nossa força, nosso poder, nossas palavras, nosso chicote a nosso favor!

A carta 11, por si só, não julga positiva ou negativamente, uma situação, apenas mostra que naquela situação há, ou haverá, um embate de forças. Esse enfrentamento pode ser positivo ou negativo, dependendo das cartas que estejam próximas, da pergunta, e da posição no jogo...Como, aliás acontece com qualquer outra carta, principalmente as neutras, que não carregam em si, a priori, um potencial positivo, ou negativo.

Descrição:  Na maioria dos decks vemos um chicote e uma vassoura, que se cruzam, indicando, que embora diferentes, suas ações se relacionam.
Em outros decks, temos apenas o chicote. E, ainda, há um baralho que traz a figura de alguém se auto flagelando. Recentemente encontrei na internet um deck que representa a carta 11 como uma espada e uma coroa de espinhos...Imagino que, a espada (elemento ar) corresponda ao chicote, como instrumento de poder, e a coroa de espinhos lembre a dor provocada pelas palavras e violências que podem estar implícitas nesse arcano. Eu, particularmente, acho essa visão um tanto reducionista!

                                                    
                                                    


Significado: Tanto o chicote, quanto a vassoura, indicam que essa é uma carta de ação! O chicote pode ser usado para comandar, para "ensinar", para ferir e para mostrar "quem é que manda".
A vassoura é usada, com já vimos, para limpar, e/ou banir de algum lugar o que é indesejado.

Então numa primeira leitura, temos uma carta que nos fala de imposição de vontade e proteção de território! Fica, assim, clara a relação com a Magia! Afinal, o ato mágico pretende comandar para obter algum resultado. Para todo mago, banir (vassoura) de seu território o que não é desejável, é de primordial importância para o bom resultado de suas obras.
De um modo, ou de outro, somos todos magos, já que todos nós usamos, ou deveríamos, nossos instrumentos e nossa força para conseguir vitórias e bons resultados. Todos nós, em maior ou menor grau, entendemos a importância de manter o corpo e a mente claros e limpos antes de partir para a batalha :) Todos nós sabemos que, para conseguir algum resultado, devemos "tirar as teias de aranha", das situações, para  vê-las com mais clareza, e assim agir eficazmente.
O chicote nos lembra que a disciplina é necessária para o domínio de nossas qualidades.
A vassoura nos fala da necessidade de banir, ou varrer para longe, aquilo que não queremos.

Para ficar mais clara a relação entre a carta 11 e a magia, coloco aqui algumas definições pinçadas de um post da minha querida amiga, Socorro van Aerts, numa página do facebook: "Convençao: Rua da fonte das bruxas" ;)

- “Magia é a aplicação da vontade humana, dinamizada, à evolução rápida das forças vivas da natureza.”
Papus – Tratado Elementar de Magia Prática
- “Magia é a ciência e a arte de causar mudanças de acordo com a vontade.”
Aleister Crowley
- “Magia é a ciência e a arte de usar os poderes invisíveis para produzir fenômenos visíveis.”
H.P.Blavatsky

Se analisarmos, veremos que de uma forma direta, ou indireta, todas as definições falam de :
- vontade
- poderes
- produção de resultado

Tudo isso tem relação com a magia, tanto quanto tem relação com o uso de nosso potencial para obtenção daquilo que queremos. Assim, de uma certa forma, podemos ver que a magia, como já foi dito, existe em todo lugar, embora as chamadas "artes mágicas" digam respeito ao estudo e aplicação de poderes, que não estão necessariamente em nós mesmos...É nossa vontade agindo sobre forças internas, e externas a nós, para obter resultados de Luz ou escuridão.
 


                             
                                                                      

                                                                                                                             

Essa não é uma carta "moral". Não diz como usar os instrumentos... Isso é de responsabilidade de quem os maneja. Aproveito para dizer, que como cartomante, nunca achei que meu papel fosse julgar. Aliás, como profissional e como ser humano, nunca achei que me cabia o direito de julgar o próximo. Posso, é claro, e devo ter uma opinião sobre atos, e acontecimentos, vendo-os como benéficos ou prejudiciais. Julgamos os atos, mas não nos cabe julgar o autor, ao menos do meu ponto de vista! Aproveito para dizer que a carta 11, reforçou essa maneira de pensar ao recordar-nos que o instrumento não é bom ou mau...Isto é da responsabilidade de quem o usa. Posso ver o resultado do ato, mas não posso ver o "coração" de quem o praticou.
O chicote, simbolicamente, nos fala de comando e não, necessariamente, de abomináveis castigos físicos ou morais. Fala, sim, da necessidade de manter nossas ações subordinadas à nossa vontade, lembrando-nos de nossa responsabilidade ao usar nossos instrumentos pessoais, físicos, mentais ou espirituais.
A vassoura, por sua vez, simboliza o incenso nosso de cada dia rsrsr; o banho higiênico, e ritual; a meditação que mantém nossa mente livre de poluição; e a necessidade de vigiar nosso território (corpo e ambiente) para expulsarmos, pronta e rigidamente, aquilo que não seja favorável ao nosso crescimento.

O deck que retrata um homem se auto flagelando (ver acima), parece querer simbolizar a necessidade de colocar sob o poder de nossa vontade, nossos vícios, fraquezas, qualidades e dons para alcançarmos nossos propósitos.

À parte do que já dissemos, o que mais pode ser sugerido pela carta 11?

Um dos maiores instrumentos de poder, de domínio, de convencimento é a palavra!
Não há magia (em qualquer nível) que possa ocorrer sem que o nosso querer seja expressado claramente. Isso equivale dizer, que a palavra falada ou escrita, é fundamental para que nos coloquemos, claramente, diante de alguém, de um fato, ou em um ritual. A palavra, é outra coisa que é simbolizada pelo chicote.
Essa carta também nos lembra a incrível importância de nos resguardarmos, para que da nossa boca não saia nada contra nós mesmos e, idealmente, nada que possa prejudicar o outro.
A palavra cria, exalta, convence, vence, humilha, derrota ou arrasa! Sendo outro instrumento que pode ser usado para o bem ou o mal.
                                                                     Martin Luther King, em seu belo discurso: Eu tenho um sonho!

 Hitler usando o poder da palavra para iniciar iniciar uma guerra que terminaria no holocausto de milhares de Judeus, Ciganos e outras minorias.

A estreita, e importantíssima, ligação dessa carta com a palavra, também a coloca como uma possibilidade de discussões, brigas, domínio pela inteligência ou pela violência e, também, de jogos de poder entre pessoas.
                                                                                      


 Do que mais poderá falar o chicote? Enquanto instrução nos alerta para que usemos nossos mais poderosos e eficazes recursos, numa situação, ou nos avisa que está na hora de usarmos a disciplina e a vontade para fortalecer o que, em nós, haja de mais criativo e poderoso em expressão.  Isso não se refere apenas ao uso da linguagem falada ou escrita, mas também ao uso de qualquer linguagem que tenha a capacidade de promover mudanças.
Afinal, não é absolutamente mágica a expressão artística? Alguns creem que a arte é uma arma poderosa, pelo simples fato de espalhar beleza, e promover o prazer. Sem falar das ideias que possam estar inseridas nas obras... Basta lembrarmo-nos da energia poderosa que se espalha pelo nosso ser, ao entrarmos em contato com a arte. Ou, indo de um polo a outro, lembrarmo-nos de quantos regimes de força, totalitários, proibiram e censuraram livros, peças de teatro, pinturas, músicas...

   Quem poderá dizer que a voz da Callas não desce sobre nossos corações, como mágica? Ou que ela não teve muita disciplina para levar seu instrumento ao máximo de sua capacidade?                                                       

 E o grande Villa-Lobos, não nos encantou ao usar sua batuta mágica para levar sua obra genial a tantos ?

 
 Eles, como tantos outros geniais fazedores de magia, com certeza usaram, e muito, as lições do arcano 11!
Além da linguagem artística, há o discurso dos sábios... aqueles que fundaram escolas de pensamento e religiões!
Qualquer que seja nossa crença religiosa, ou até nossa descrença, é inquestionável a força do amor, pregada por Cristo, a beleza dos versos de Salomão, sabedoria do Caminho do Meio ensinado por Siddhārtha Gautama, as lições de humildade de Chico Xavier, o conhecimento gnóstico contido na obra de Dante Alighieri, entre tantos, e tantos outros!
Para muitos de nós, os conselhos sábios dos nossos guias, protetores, e dos Mestres Ciganos, são exemplos de linguagem poderosa!
Mas...
Por outro lado, o mau uso do Chicote, leva ao sofrimento, à dor, à escravidão...
Finalmente, não posso deixar de dizer que, para mim, o uso do baralho cigano é um ótimo exemplo do que nos fala a carta 11! Afinal, o Lenormand é um instrumento mágico poderoso!

NO PRÓXIMO POST: A carta 11 no jogo.

Obrigada todos que vieram!
Deixem seus comentários ou perguntas.
Até amanhã!

Que nossos guias e protetores estejam sempre ao nosso lado defendendo-nos em nossas batalhas!

                            


domingo, 6 de maio de 2012

A superlua, a magia e o arcano 11 - O chicote



Olá, queridos!
Imagino, que alguns viram, hoje pela madrugada, a SUPER LUA! Tivemos muita sorte, no Rio de Janeiro, Brasil, Hemisfério Sul rsrsrs
A beleza da lua foi de tirar o fôlego... Coisa que, aliás, ela costuma fazer comigo mesmo quando não é super ;)
O interessante a respeito dela é que, mesmo sabendo tudo que hoje sabemos através da mais básica ciência, ela continua encantando com seu "quê" misterioso, sua influência nos nossos humores e sua caminhada sábia que nos lembra que para tudo há um tempo!... E ele é cíclico.
Ela nos fala de amores antigos, e faz com que desejemos novos romances sob sua guarda... Lembra-nos do sagrado feminino e sua inextrincável relação com o masculino, também sagrado...
                                                              
 
Para alguns, tenho notado, ela desperta a curiosidade por tudo que não vemos, mas sabemos existir... Um convite ao estudo dos mistérios, um desejo pelo que transcende a nossa experiência diária e, a nós mesmos. Ela é um perfeito lembrete de que a ciência, com toda sua serventia insubstituível, e valor inquestionável, ainda não dá conta das necessidades de nossa alma, dos desejos de beleza, e da vontade, meio louca, de sermos mais, percebermos mais e podermos mais! Falamos de um poder sutil, não conseguido nos laboratórios, nem exercido com metal pregos, parafusos, e afins, com aviões e armas, ou com a fissão nuclear... O avião (muito querido por mim), de utilidade incontestável, é ainda muito pesado para a delicadeza da jornada da alma, em busca de um querer muito íntimo... e dessas coisas "estranhas" de que nos fala a lua...
Para transitar por esse delicado, mas resistente tecido ( já que nunca deixou de existir no coração humano), temos que perceber que partimos da solidez sagrada de nossa humanidade, da firmeza do chão formado pelas coisas de que somos feitos, do tangível... Ou seja, partimos da nossa humana dimensão, com o peso que lhe é próprio, e voamos pelas dimensões sutis, à medida que vamos aprendendo a entrar em contato com a "imaterialidade" daquilo que, no "ser", existe e permeia a matéria sagrada. Um dia, ao percebermos que matéria e energia são a mesma coisa em momentos diferentes, teremos dado o primeiro passo, não é assim? ;)
Talvez seja aí que resida o convite que a lua nos faz... Olhamos para ela, e a vemos nascer, crescer, chegar ao seu auge, regredir e morrer, para nascer outra vez. Sabemos que ela tem uma outra face... Aquela que não vemos, mas que inegavelmente existe. Olhamos para nós, e ansiamos conhecer a face que, em nós mesmos existe, mas está à sombra da nossas faces habituais. E temos muitas! Tantas, que é um mistério que quase sempre usemos a mesma.





                                                               
Afastar a máscara... deixar cair por terra tudo que é mais denso, e ver surgir nossa outra face, aquela que prescinde do peso da matéria e pode voar.... e voltar, esse é o desafio! Voltar e injetar, no mundo material, uma boa dose de energia renovada e adquirida! Esta será usada para vários propósitos que vão da clareza do pensamento, do aprimoramento do nosso auto conhecimento, da alegria do contato com os mistérios, até a realização do ato mágico. Injetar energias densa e sutil, direcionadas de forma intencional sobre algo, é interferir no seu trajeto, promovendo mudanças. Isso é magia! A lua nos fala sobre disso, quando distante, exerce influência sobre as marés, os partos, os nossos estados de ânimo. A lua nos lembra que sua influência não se dá apenas por sua face conhecida, mas também pela força daquela que não vemos.

A magia pode ser aquela que ajuda, tornando esse mundo melhor... Mas também, infelizmente, pode ser aquela que destrói... Como qualquer instrumento, força ou conhecimento!
 
Magia é algo apaixonante e existem muitos livros a respeito do assunto, como a  CABALA MÍSTICA de  Dion Fortune, e Dogma e Ritual de Alta Magia de Eliphas Levi, que são livros mais antigos, mas extremamente importantes para quem quer estudar o assunto. 
É claro que não vamos nos estender sobre o tema... Não tenho essa capacidade!... 
De qualquer forma trouxe esse assunto, ao blog porque, por uma feliz "coincidência" o próximo arcano que estudaremos é carta 11, O chicote ou a carta da magia!

Então... pela beleza da lua, pelos nossos desejos de sermos mais e melhores, e pelo riquíssimo arcano 11... Eu simplesmente não pude resistir. :))) 

Acho que muitos amigos, viajantes das noites de lua, também não teriam resistido!... ;) 


                                                                          


Que o Poder Maior, que é Pai e Mãe, nos abençoe em nossas aventuras, pelos caminhos da busca daquilo que, estando em nós, é maior que nós! Que Sua sabedoria nos mostre o caminho Luminoso e sua misericórdia nos afaste do caminho do engano e da escuridão!
Que assim seja.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Carta 10 - A foice






Descrição: Na maioria dos decks, vemos um campo que foi recentemente objeto de colheita. Reforçando essa imagem, temos a figura da foice junto a um fardo daquilo que foi colhido, como por exemplo trigo. Um aspecto importante é que, o que foi colhido estava em pleno vigor, cheio de energia vital! Isso, percebemos, porque aquilo que foi colhido ainda guarda um certo frescor. Nada do que foi colhido estava deteriorado, ou em processo de desvitalização. Aquilo que a foice cortou estava vivo e vibrante.

O que foi cortado, corresponde ao que foi plantado ou àquilo que "nasceu" espontaneamente, e cresceu, já que permitimos que se desenvolvesse por algum tempo. Quem, ou o que, manejou a foice cortou aquilo que existia, Quem manejou a foice, pode ser o dono da plantação ou não...

Significado: A foice representa um corte daquilo que estava em pleno funcionamento, ou em plena saúde, expressando-se, vigorosamente, na realidade da nossa vida. Nada, naquilo que foi cortado, indicava que chegaria ao fim. A foice tem uma ação rápida.
 
Após a ação da foice o que acontece?
Podemos imaginar que isso depende da mão que cortou... Foi a nossa? Queríamos o fim daquilo que foi cortado, ou não?... Ou terá o corte vindo, como resultado, de acontecimentos sobre os quais não tivemos nenhum controle?
Ganhamos com a colheita ou perdemos?

- Teremos um cenário de tragédia, como em Romeu e Julieta?
No ato IV, cena V, ao acreditar que Julieta está morta, Capuleto lança seu lamento, que exprime bem o que se pode sentir diante da ação da foice.

                                                                 

CAPULET
 25   Ha! let me see her: out, alas! she's cold:
 26   Her blood is settled, and her joints are stiff;
 27   Life and these lips have long been separated:
 28   Death lies on her like an untimely frost
 29   Upon the sweetest flower of all the field.

Ah...Deixai-me vê-la: Oh, dor! Já não há calor em seu corpo.
O sangue está parado e suas juntas endurecidas, já não se movem;
Há tempos a vida foi separada desses lábios;
A morte caiu sobre ela como uma geada prematura
sobre a mais doce das flores do campo!

- Ou de libertação?



                                                                  
Como nos ditados: "Antes que o mal cresça corte-lhe a cabeça"  e "Cortar o mal pela raiz"

                                                                           
 

- Ou de cura?
Quantas vezes ouvimos que "a cirurgia, naquele momento, salvou-lhe a vida"?

                                                                      

                                                                  
- Ou de dor?
Como nos acidentes, nos casos de doença de aparecimento súbito, atos de guerra ou terrorismo.

                                                                          
 
No jogo: Quando a foice aparece, no jogo, dependendo da sua localização e cartas adjacentes, ela pode nos falar de:

- Corte e fim que chegam de forma rápida.
- Algo é interrompido de forma brusca.
- Doenças agudas
- Perda da função de algum membro ou órgão.
- Interrupção da gravidez (dependendo das cartas - aborto espontâneo ou provocado)
- Acidentes, atos violentos
- Cirurgia
- Perda financeira, ou material, repentinas e drásticas.

Pode também nos aconselhar, ou mostrar, que algo precisa ser cortado de nossa vida, pois embora em plena função, já não nos serve... Então por mais que seja difícil, teremos, nós mesmos, que usar a foice, ou ela poderá ser usada contra nós, por exemplo: Quando devemos cortar algum hábito, ou vício, sob pena de sermos muito prejudicados.

Polaridade: Carta negativa.

Observação: Algumas vezes, dependendo do que for cortado, a foice responde como uma mensagem positiva! ;)



Orixá: Omulu/Obaluaiê


 Atotoó!!!

             


                                                      
Beijos e obrigada por terem vindo!




                                                              



sábado, 28 de abril de 2012

Carta 09 - O ramalhete parte II


                                                                    


Olá, meus queridos.
Recebi um comentário, que gostaria de dividir com vocês. Ele veio de uma grande e querida amiga, que é mestra nas artes do Lenormand! Diretamente da Itália, assim fala minha querida Odete Lopes Pinto, sobre a carta 09 do baralho cigano: ;)

"Fala das  realizações que chegam por meio de nossos esforços: pode ser uma medalha, um troféu, uma premiação por um trabalho bem feito (aplausos, Oscar). É mais um passo que se faz, um grau a mais para chegar, lá, onde queremos chegar...
...esta carta me saía cada vez que eu alcançava um pequeno sucesso...
Ela vinha me dizer que eu continuasse minha luta até alcançar o meu objetivo final...."

Achei esse "toque" fantástico... Faz realmente todo o sentido, que a carta dos momentos felizes venha também em forma de reconhecimento por nossos esforços. Afinal, poucos momentos são mais felizes do que quando vemos que nosso trabalho foi bem feito, e reconhecido como tal!
Odete é uma escritora, professora e leitora do Lenormand... Ela segue a escola europeia, mas, ainda assim, acho que essa interpretação pode ser, com vantagens, incorporada àquelas da escola brasileira. Aqui, tradicionalmente, atribuímos o sentido, de "honrarias e reconhecimento", à carta da Lua, o que na realidade, para mim, nunca fez muito sentido... Mas, isso também deverá ser avaliado por cada um em particular ;)

Obrigada, querida Odete, por permitir que eu reproduzisse, aqui, sua mensagem.
Beijos




                                                               


 





Há dois outros aspectos, sobre a carta do Ramalhete, que acho importante citar para que vocês possam fazer suas avaliações:

- Alguns estudiosos, do baralho cigano, ligam a carta 09 ao Orixá Nanã... 
Lembrando sempre que as cartas não são o melhor meio para se falar de Orixás, sugiro que antes de associar a carta 09 a Nanã, cada um, que tiver interesse pelo assunto, leia sobre esse Orixá tão particular e misterioso... E então decida se Nanã será ou não representada pelo ramalhete ou pela Dama de Espadas que está inserida nessa carta. Fica também a sugestão para que se pesquise sobre a Rainha de espadas na cartomancia com baralho comum.

- Muitos veem na carta do Ramalhete a figura da "outra" num relacionamento, provavelmente por representar a leveza dos momentos alegres ou a disposição para flertar e namorar... Eu, particularmente, não penso assim... Seria necessário que outras cartas, que indicassem rutura de relacionamento amoroso, perda ou desgaste, estivessem presentes para que o ramalhete pudesse sugerir uma "outra", no pedaço :) Na minha experiência, a figura da "outra", ou a traição dentro de um relacionamento, é melhor sugerida pela carta 07, a cobra (tomando-se os devidos cuidados, pela delicadeza da questão).





Que seu caminho seja coberto de flores!
Beijos

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Carta 09 - O ramalhete, o bouquet

Para começar, quero desejar que hoje você receba flores... Ou envie flores para alguém... Ou, melhor ainda, desejo-lhe ambas as coisas!

                                                              
Descrição: Flores mantidas juntas em forma de bouquet ou, em alguns decks, pode ser representada por um belo arranjo floral em um vaso. Geralmente o ramalhete é formado por mais de um tipo de flor. 

Significado: O ramalhete, para mim, é uma carta que anuncia os "presentes da vida": aqueles que nos chegam, pelas mãos de alguém, e alegram nosso coração, ou aqueles que simplesmente acontecem, e se tornam felizes lembranças, como a contemplação de um por de sol especialmente lindo, ou uma gostosa conversa com alguém que nos faz feliz.  Não tratamos, aqui, de eventos de grande impacto, que venham promover mudanças importantes na nossa vida, mas daquilo que torna a nossa caminhada feliz, aquece nosso coração e nos dá ânimo para irmos em frente. O ramalhete fala de tudo que nos faz sorrir, relaxar, dançar...  Representa os bons momentos, as presença de pessoas que nos fazem bem, a paquera, o encanto do início de uma relação amorosa.
O bouquet da noiva, representa aquele momento feliz, aquele dia... enquanto as alianças representam o compromisso de amor entre os noivos. Ao ser jogado, o bouquet "promete", a quem o pega, que em breve a pessoa irá ter um dia igual!
Se eu pudesse dar um conselho, seria: Aproveite, ao máximo, o momento... sem medo, culpa ou qualquer sentimento que possa representar um processo de auto sabotagem. Receba, com o coração aberto, esse presente da vida!  
Outra forma de viver um "momento bouquet", é oferecer flores... ou seja, proporcionar a alguém um momento feliz, já que, frequentemente, o ramalhete representa um acontecimento compartilhadoPor sua relação com o "momento", o ramalhete, assim como as flores, não terá longa duração, mas tem o potencial de se tornar eterno, enquanto lembrança. Algumas vezes poderá fornecer alguma semente que, se plantada, pode dar origem à algo mais durável.

                                                                      

No jogo com o Lenormand ou baralho cigano: Essa linda carta pode representar:
- Alegrias
- Presentes
- Beleza
- Momentos felizes compartilhados entre duas ou mais pessoas.
- Namoro, flirt
- Se estiver representando uma pessoa, a carta 09 fala de uma mulher bonita, encantadora, e bem cuidada.

Advertência: Dependendo da posição no jogo, e das cartas próximas, poderá ser um convite para que a gente perceba que flores podem nos chegar por mãos não confiáveis...  por exemplo:

cobra + ramalhete + nuvens = pode indicar que alguém se aproxima, vem com "flores", mas tem intenções bem diferentes, provocando confusão e algum sofrimento.

Polaridade: Carta positiva

Espiritualmente:
Pela alegria que expressa, algumas pessoas veem a carta do ramalhete como uma manifestação da energia cigana. Já outras preferem pensar que, a cigana por quem são acompanhadas, se manifesta pela carta das estrelas, ou pela da Lua... A experiência indicará como essa energia se comunica com você ;)


                                              

                                                                      
                                                                                               
  


                                                                 


Beijos carinhosos, e obrigada por virem alegrar este Blog!



                                                                         

                                                                            







sábado, 21 de abril de 2012

Carta 08 - O Caixão - parteII

                                                                    

Continuando nosso estudo da carta 08 do Lenormand...

Significados:
- Perda
- Algo chega ao fim
- Término de algo ou alguma situação que perdeu sua força vital, sua razão de existir ou seu propósito em nossas vidas. Normalmente essas situações já sinalizavam sua desvitalização.
- Transformação profunda, que se dá após uma perda que está além de qualquer possibilidade de reversão. Quando ela se dá, cria-se um vazio... Como já dissemos, a vida não gosta de vazios. Ela (a vida), e a carta dos finais, nos estimulam a recomeçar em moldes totalmente diferentes. Nada do que se perdeu poderá ser revivido, mas o espaço criado pela perda, deve ser preenchido com algo novo. É um convite a que, uma vez processada toda a dor, nos reinventemos. 
- Sinal para "deixarmos ir".
- Doença que vai "minando" as energias e resistências, com possibilidade de que a pessoa fique restrita ao leito por longo tempo.
- Possibilidade de morte física
- Morte simbólica que ocorre nos ritos iniciáticos.
- Tristeza profunda.



 "Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,
    Na busca do tao (caminho), todos os dias algo é deixado para trás."

                                        Tao Te Ching (道德經), Cap. 48

 Polaridade: Carta negativa, mas que tem um potencial positivo, como acontece com várias cartas, sempre dependendo da sua posição no jogo, da pergunta que foi feita e das cartas próximas.
Imaginemos que a carta 08 (o caixão) venha logo após uma carta negativa e seja seguida de cartas positivas: Teríamos uma indicação que algo ruim, negativo, chega ao fim proporcionando a chegada de coisas boas e positivas.

Exemplo: cobra + nuvem + caixão + sol + cavaleiro

Numa leitura livre diríamos que traições, maledicências e falsidade, que geraram uma situação de confusão, indecisão, chegam ao fim. O sol volta a brilhar, as coisas se tornam claras e a pessoa está livre para usar sua energia e agir de forma firme e direcionada.

Esse arcano, assustador e riquíssimo, voltará a ser estudado em várias ocasiões. Não é possível esgotar a interpretação de qualquer carta do baralho cigano, com uma ou duas postagens :)

Que, Santa Sara, nossos guias e protetores, nos inspirem para que, diante do "vazio", possamos criar beleza e felicidade em nossas vidas, recriando-nos!