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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Carta 08 - O caixão







 Considerações iniciais

Este é o arcano que, entre outras coisas, fala de perdas e términos. Algo se deteriora, perde sua força/energia, sua razão de existir, e por fim, aquilo que sobra (sem qualquer vitalidade), deve ser retirado do nosso convívio, e enterrado. O que foi perdido abrirá espaço para que algo surja em seu lugar... A vida não gosta de vazios, e o melhor a fazer é não lutar contra isso, permitindo que algo novo surja em nossa existência. Mas... isso leva tempo. O tempo para reconhecer a perda como definitiva, tempo para o luto, para a aceitação do fato e, finalmente, para permitir que algo surja, no lugar antes vazio.
Não podemos nos iludir: esse é um arcano que ao aparecer, num jogo, nos causa apreensão, e uma sensação de medo. Afinal, o que chegará ao fim? Um trabalho? Um amor? Nossas economias? Ou alguém? Vamos perder alguém para a morte?!? A morte... É, exatamente, ela a causa maior da perturbação que sentimos diante da carta do caixão, porque, convenhamos, a primeira coisa que nós - ou a maioria de nós ocidentais - tememos é a morte! Tememos a perda irreparável, a dor terrível e a assustadora realidade de nossa própria mortalidade. Tememos todas as coisas que são evocadas pela figura do caixão. No entanto, apenas algumas vezes, e diante de certas combinações de cartas, o arcano 08 assumirá o significado de morte física. Eu diria que, na minha experiência, isso ocorre em muito menor proporção, comparando-se aos casos em que a carta indica perda (sim!), mas não relacionada à morte de alguém, e sim ao término de algo com o que estamos envolvidos: Seja um projeto, um romance, um trabalho, uma amizade, seja nossa fé religiosa, ou mesmo nossa saúde, por doença grave, mas que não terá a morte como desfecho.
De qualquer forma, é um arcano que temos que aprender a aceitar, por traduzir, simbolicamente, algo cuja existência não pode ser ignorada. Na verdade, devemos ir além! Teremos que aprender a amá-lo como parte integrante, e fundamental, da existência, e da manutenção do processo criativo que perpetua a vida. Demolição x construção, nascimento x morte, vazio x preenchimento, são faces desse processo.  Coisa difícil, sim! Não há como negar: um caixão, é um caixão. Caixão soletra MORTE.
Como fazer, então, para estarmos em paz com essa carta? - à parte, é claro, de um trabalho interior, pessoal e intransferível, que nos habilite a encarar as perdas (por morte ou não), como fato inevitável, e finalmente ver a morte como um estado do "ser"... Mas isso, é claro, foge do nosso estudo...
O pouco que posso fazer é dar algumas dicas, para enfrentarmos a presença da carta 07, no jogo. ;)

- Sempre que for jogar, acalme-se, faça seus rituais e apenas concentre-se na pergunta, ou se for o caso de um jogo grande, tente manter a mente o mais "limpa" possível.
- Ao olhar a carta 8, veja onde se encontra (em que casa caiu), analise a carta de acordo com a pergunta formulada, ou sua posição no jogo. Estude as cartas que lhe estejam próximas.
- lembre-se que, dependendo das circunstâncias, a carta 08, pode trazer algo positivo: Quem poderia negar, por exemplo, que uma relação doentia chegando ao fim, trará alívio e possibilidade de cura?
- Lembre-se que o jogo nos fala muito do momento presente, e de uma tendência para as ocorrências do futuro, e que a ideia de destino, marcado e imutável, é discutível, em várias dimensões de ordem filosófica ou religiosa.
- Lembre-se de que, num grande número de vezes, o caixão não se refere à morte física!
Se a pergunta foi sobre a situação de alguém num emprego, por exemplo, não é caso para "viajarmos" e dizer que o chefe, ou o consulente, vai morrer e então não haverá mais emprego, com o qual nos preocupar... Ou, se no caso, a pergunta se referir a uma relação pessoal, ou qualquer sociedade, não é provável que a carta 08 fale da morte física de alguém, mas sim, do término da sociedade/relação pessoal, propriamente ditas.
- Se, por exemplo, a sua posição no jogo estiver ligada a um pedido de orientação, conselho, é impossível que Os Mestres ciganos, ou sua intuição, ou mais simplesmente "as cartas", estejam mandando o fulano se matar, ou não fazer nada, uma vez que o consulente vai "dessa prá melhor"! Provavelmente o conselho será para que haja uma analise sobre aquilo que, na vida da pessoa, deve ser "enterrado", por não ter mais utilidade e estar sendo um empecilho no seu desenvolvimento
- Se, no entanto, forem muitas as indicações de que possa haver morte física, devemos procurar a forma mais razoável de abordar o caso...

A provável morte é de alguém que está em mau estado de saúde, com alguma doença grave, ou idade avançada? Poderemos disser, sem ferir a ética, que o caso é muito delicado e que é hora do/a consulente esforçar-se, ao máximo, para estar presente com seu amor e solidadriedade, ajudando à pessoa amada nesse momento difícil...

Ou refere-se a alguém, ou ao próprio consulente,  que aparentemente está bem? Podemos, sugerir, delicada mas firmemente, que a pessoa procure um médico para um check up, já que alguma coisa, ainda imperceptível,  está ocorrendo e poderá ter graves consequências...

Enfim, acho que já dá para entender que, não precisamos mentir sobre a gravidade de uma situação, e nem vaticinar: É caso de morte! Até porque, esse é um assunto muito sério e, se fecharmos a questão, poderemos trazer mais prejuízo do que ajuda... Se houver a possibilidade, por menor que seja, de um milagre, ou de se evitar uma situação tão grave, isso acontecerá, mais facilmente, por uma ação positiva de amor, presença e enfrentamento tranquilo da situação - ou pela verdade sobre estado de saúde de alguém - do que pela dor e desespero antecipados.  Milagres acontecem? Esse é um assunto de foro íntimo. O visto nas cartas pode ser evitado? Isto é também  da esfera da crença pessoal, ou da experiência de cada um de nós. Mas ainda que não acreditemos em milagres, ou mudança de "destino", ou até que neguemos a possibilidade de estarmos cometendo um  erro de interpretação, uma coisa não pode ser negada: Não temos o direito de retirar, de quem nos procura, as armas necessárias para caminharem: um pouco de fé, alguma esperança e coração tranquilo. 
- Então devemos mentir? Não! Uma situação grave deve ser interpretada como tal. Dizemos que o caso é bastante grave e sugerimos cursos de ação que poderão ajudar ao consulente e à pessoa que possa estar de partida... e, entregamos o desfecho a Deus ou Deusa, ao destino, ou acaso (dependendo da nossa crença pessoal).
- O que foi visto se refere a alguém aparentemente são, incluindo-se aqui o próprio consulente? Maior valia terá um conselho (sério e firme) para que a pessoa em questão procure um médico, e tome certas precauções, do que enviar a pessoa à procura de um caixão e um lugar no cemitério... Assuntos ligados à nossa mortalidade são por demais sérios, delicados e perigosos para que nos tornemos arautos da morte. 
- Não vou dourar a pílula e dizer que o jogo (pelos nossos mentores, pela nossa percepção, pelo conhecimento inconsciente do nosso consulente) não seja capaz de prever a morte, porque isso ocorre, não frequentemente, mas ocorre. Também não vou usar lentes cor-de-rosa e dizer que nós nunca erramos, porque isso também acontece. Então, mais uma vez, levando-se à serio a situação, por sua óbvia gravidade, aliar ética ao bom senso e à prudência, é o caminho que eu seguiria.

Pausa para um café!... Eu preciso, e você?

terça-feira, 10 de abril de 2012

Carta 6 - As Nuvens.




   Carta 06 - As Nuvens, Os ventos

«A oeste, uma muralha de nuvens cada vez mais negras, mas de momento a atmosfera estava tão tranquila que nem uma erva mexia.» W.G. Sebald – Moments musicaux / da obra Campo Santo 


Descrição - Vemos uma paisagem, onde o único movimento que se adivinha está nas nuvens do céu. Em terra firme nada se move. Se no seu deck aparecem figuras, elas aparecerão como elementos imóveis que olham em direção às nuvens. As nuvens, no entanto, são desenhadas de modo a sugerir movimento, adivinhando-se, aqui, a força do vento que as empurra. Não vemos o sol, que se adivinha entre as nuvens.
Olhando atentamente, na maioria dos baralhos, vemos que há um conjunto de nuvens mais claras e outro formado por nuvens carregadas, escuras. É importante notar que há variações quanto à posição dos grupos: podemos ter nuvens carregadas à direita e claras à esquerda, ou vice versa, dependendo do deck. 

Significado: Como diz a frase de Sebald, sobre o solo a atmosfera é tão tranquila quem nem uma erva se mexe. O sol foi encoberto, as sombras descem sobre nós. Nada mais é claro, tudo que vemos parece indefinido. A indefinição dos contornos prejudica a avaliação do terreno e traz sentimentos que vão da indecisão, ao medo. O momento é de confusão, depressão, e tristeza, porque o melhor caminho não está claro... Afinal, no escuro todos os gatos são pardos, não é? Um tigre pode ser confundido com uma pedra, um gato pode tomar proporções de uma fera...
Quando estamos cercados de nuvens, podemos tomar o caminho errado ou, se permanecermos parados, poderemos estar sujeitos à tempestade, raios e trovões... E sabemos disso! O arcano das nuvens, nos oferece um desafio: Não esquecer que elas passarão graças ao vento, que nem sentimos, mas existe e movimenta as nuvens!  A luz voltará a tornar claros, todos os contornos, todos os caminhos, iluminando nossa capacidade de julgamento e escolha. 

No jogo: O arcano 06 pode significar:
- Momento passageiro de:
- confusão mental
- depressão e/ou medo
- tristeza e desalento.
- Momento quando os obstáculos não estão claros.
- Incapacidade de analisar a situação com clareza.
- Amigos e inimigos podem se confundir.
- Importante observar a carta que está ao lado das nuvens escuras, e aquela que está ao lado das claras. A carta que estiver ao lado das nuvens carregadas, apontará para a área/ assunto/ pessoa que sofrerá uma influência mais intensa, por um tempo mais longo. Já a carta que está ao lado das nuvens claras, aponta para uma área sujeita à influências mais leves.

Polaridade: Negativa.

Orixá: O que torna as nuvens passageiras? O que, mais cedo ou mais tarde, leva as sombras e permite que a luz volte? O vento! Assim a carta 06, não poderia deixar de representar Iansã! A senhora dos ventos que carregam as nuvens, e das tempestades que desfazem as nuvens carregadas.

 
Epahei, Oyá! Que Iansã, afaste as nuvens do nosso caminho, tornando nosso caminhar seguro, e garantindo nossa vitória nas batalhas!





                                                                 

Optchá, Santa Sara Kali,
Pelas forças das águas,
Pelos seus mistérios,
Pelas forças da natureza,
Nós, filhos do vento,
Das estrelas e da lua cheia,
Pedimos a senhora que
Esteja sempre ao nosso lado!



segunda-feira, 12 de março de 2012

E agora?...ou a escolha.



Se você chegou até aqui, é provável que você já tenha um Lenormand... Ou, é claro, esteja pensando em tê-lo. Em qualquer dos dois casos, você sabe o porquê de ter escolhido esse meio de comunicação, com as forças atuantes, com o outro, e com você mesmo? Se não o souber, com uma firme certeza, sinta-se em companhia de muita gente. Eu, particularmente, comecei sem ter, realmente, feito uma escolha...É que "topei" por acaso (?) com um curso, que seria dado num horário conveniente. Foi paixão à primeira vista, e à segunda e à terceira... Até que, como tantas vezes ocorre, a paixão esfriou. Culpei, os erros e os acertos das minhas leituras...Na verdade, no meu caso, assustavam-me mais os acertos! Culpei o medo do que eu poderia ver, o medo de não ver, medo da responsabilidade, medo de estar fazendo papel de boba, ou, o que era pior, fazendo os outros de bobos...E por cima de tudo, aquela pergunta incômoda, por que funciona??? - Porque, minha gente, cheguei à conclusão que eu errava...não o baralho... mais medo! Tentando descobrir a razão disso, acabei me distanciando, emocionalmente, do amado baralho, entregue a questionamentos, à racionalidade, às questões humanas, fossem elas  científicas, psicológicas, religiosas, filosóficas e até, vejam só!, a questionamentos dietéticos! Deveria eu virar vegetariana, macrobiótica, emagrecer ou engordar...para ser um receptáculo "nos conformes". Teria eu que "fazer o Santo", ou frequentar qualquer templo com assiduidade para "estar protegida"? Mas, pelo amor de Deus, protegida do quê? Das cartas, é claro!... e assim, lá foram elas pro fundo de uma gaveta, e lá ficaram por algum tempo...Mas, volta e meia, alguém me pedia uma leitura, ou eu dava de cara com coisas que costumava usar na mesa de jogo, ou alguém, sem ter nem prá que, me chamava de cigana (coisa que não sou), ou dizia algo do tipo: Você sabe que "tem" uma cigana muito linda junto com você? Pessoas, que nada sabiam dessa minha relação com o Lenormand, com a cultura cigana, ou sobre minha busca espiritual, vieram me contar que haviam sonhado comigo e, de uma forma ou de outra, eu aparecia nesses sonhos, ligada à "ciganidade", por roupas, ou por dança, e até algumas vezes jogando cartas!  Essas "coisas", se davam sempre inesperadamente...mas quando começavam, lá vinha uma série de "coincidências", e então algo, em mim, de repente, sentia muita saudade das minhas conversas com as cartas, do meu lugarzinho de jogo. Um dia, desisti de lutar contra, e me entreguei de coração, ao estudo, aos rituais, às leituras. Pensei: vou viver essa experiência de todo coração, chega de análises e elucubrações, aceito que há coisas que vou entender e outras, muitas outras, não. Aceito o mistério!
E assim começou essa incrível aventura.
Talvez você tenha se reconhecido em alguma dessas situações...Talvez você esteja querendo começar  a aprender, ou talvez você, com mais experiência, possa me ajudar nessa jornada, incrível, mágica, apaixonante. De qualquer forma seja bem vinda/o! Com o Lenormand, nas mãos, vamos caminhar?

Que seja sob a proteção de Santa Sara e dos nossos mentores espirituais!

beijos